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História da música

A origem do sertanejo: conheça a história do gênero que conquistou o Brasil

Da viola tocada no interior do país aos grandes palcos, festivais e plataformas digitais, o sertanejo atravessou gerações e se transformou em um dos gêneros mais populares da música brasileira.

Atualizado em 15 de setembro de 2026 Por Hunter.FM Ouvir O Canal Sertanejo
Cantor sertanejo de chapéu e camisa xadrez cantando ao microfone em uma festa ao ar livre, com uma caminhonete, luzes penduradas e os prédios da cidade ao fundo

Mas você sabe como surgiu o sertanejo? Para entender a origem da música sertaneja que conhecemos hoje, é preciso voltar ao Brasil rural do começo do século XX e, na verdade, ainda um pouco antes dele.

A história passa pela música caipira, pela viola, pelas tradições do interior e por personagens que ajudaram a transformar uma manifestação regional em um fenômeno nacional.

Antes do sertanejo, veio a música caipira

Muito antes de existir uma indústria da música sertaneja, os moradores das regiões rurais do Brasil já usavam a música para contar histórias, celebrar tradições e retratar os acontecimentos da vida no campo.

A viola caipira se tornou um dos instrumentos mais associados a essa cultura. As letras falavam da roça, da natureza, da família, do amor, da saudade, da religiosidade e das dificuldades enfrentadas por quem vivia no interior.

Também faziam parte desse universo manifestações como a moda de viola, o cururu, a catira e outros ritmos ligados à cultura rural brasileira. Foi daí que surgiu a base do que mais tarde passaria a ser reconhecido como música sertaneja.

1929, o ano decisivo para a história do sertanejo

Quando se fala sobre a origem da música sertaneja gravada no Brasil, um nome é indispensável. Cornélio Pires.

Nascido em Tietê, no interior de São Paulo, Cornélio Pires foi escritor, jornalista e um grande divulgador da cultura caipira. Ele promovia apresentações com violeiros e artistas do interior e defendia que aquela cultura também merecia espaço nos grandes centros.

Em 1929, Cornélio Pires conseguiu realizar uma série de gravações com artistas caipiras. Pesquisadores consideram o acontecimento um dos grandes marcos do início da música sertaneja como gênero inserido na indústria fonográfica brasileira.

O sucesso mostrou que havia público para aquelas músicas. A partir dali, os sons que antes viviam principalmente nas festas, fazendas e encontros do interior começaram a conquistar também os discos e, mais tarde, as rádios.

A música caipira ganha o Brasil

Nas décadas seguintes, novos artistas ajudaram a consolidar o gênero. Nomes como Tonico & Tinoco, Torres & Florêncio, Vieira & Vieirinha, Tião Carreiro & Pardinho e Cascatinha & Inhana se tornaram referências da música do interior.

A viola continuava presente, assim como as histórias sobre o campo e o cotidiano rural. As canções narrativas também viraram uma característica importante do gênero. Muitas funcionavam quase como pequenos contos musicados, com personagens, acontecimentos, romances e tragédias.

Foi a fase que mais tarde ficaria fortemente associada ao chamado sertanejo raiz.

Da música caipira ao sertanejo moderno

O Brasil, porém, estava mudando. A população das cidades crescia, milhões de brasileiros deixavam as regiões rurais e a própria indústria musical se transformava. Naturalmente, o sertanejo também começou a mudar.

Novos instrumentos e influências foram incorporados ao gênero. A guitarra elétrica, elementos da música popular urbana e referências internacionais passaram a aparecer com mais frequência. A partir das décadas de 1960 e 1970, artistas começaram a explorar uma sonoridade diferente da música caipira tradicional.

A temática também mudou aos poucos. O cotidiano rural continuava presente, mas músicas sobre relacionamentos e sentimentos passaram a ocupar cada vez mais espaço.

Os anos 1980 e 1990 e a explosão do sertanejo romântico

Foi principalmente durante as décadas de 1980 e 1990 que o sertanejo passou por uma de suas maiores transformações comerciais. O chamado sertanejo romântico ganhou enorme espaço nas rádios e na televisão.

As produções ficaram maiores, os arranjos ganharam influência do pop e do country e as letras passaram a falar principalmente de amor, paixão, separações e saudade.

Duplas como Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo e Zezé Di Camargo & Luciano ajudaram a transformar o sertanejo em um fenômeno nacional. O gênero já não estava associado apenas ao interior. Estava nas grandes cidades, nas emissoras de televisão, nas principais rádios e entre os discos mais populares do país.

Esses clássicos continuam tocando até hoje. Na Hunter.FM, eles têm casa própria no Canal Moda Sertaneja, dedicado aos grandes sucessos do sertanejo romântico.

O surgimento do sertanejo universitário

No começo dos anos 2000, outra transformação estava prestes a acontecer. Uma nova geração de artistas começou a ganhar espaço principalmente em cidades universitárias das regiões Centro-Oeste e Sudeste.

As músicas traziam uma linguagem mais jovem, apresentações em bares e festas e influências do pop, do rock, do country, do forró e de outros gêneros. Nascia o movimento que ficaria conhecido como sertanejo universitário.

Artistas como Jorge & Mateus, João Bosco & Vinícius, Fernando & Sorocaba, Luan Santana e Gusttavo Lima estiveram entre os nomes que ajudaram a popularizar essa nova fase. Jorge & Mateus, por exemplo, formaram a dupla em 2005 e ganharam projeção nacional depois do lançamento de Ao Vivo em Goiânia, em 2007.

O gênero ficou ainda mais próximo da música pop e conquistou uma nova geração de ouvintes. Boa parte dessa fase segue no topo até hoje, como dá pra ver no ranking das músicas sertanejas mais tocadas na Hunter.FM.

A força das mulheres no sertanejo

Embora as mulheres sempre tenham participado da história da música sertaneja, uma nova geração feminina ganhou enorme protagonismo principalmente durante a década de 2010.

Artistas como Marília Mendonça, Maiara & Maraisa, Simone & Simaria e Naiara Azevedo ajudaram a ampliar a presença feminina em um mercado historicamente dominado por homens e duplas masculinas. As letras passaram a apresentar com ainda mais força relacionamentos e términos sob a perspectiva feminina. Essa fase ficou popularmente associada ao termo feminejo.

Marília Mendonça se tornou uma das principais representantes dessa geração e uma das artistas mais marcantes da história recente do gênero.

O surgimento do agronejo

A vertente mais recente dessa trajetória ganhou força principalmente nos anos 2020. É o agronejo, uma leitura moderna do sertanejo fortemente associada à cultura do agro, aos rodeios, às festas do interior, às caminhonetes e à vida rural contemporânea, com uma estética bem diferente da do antigo sertanejo raiz.

Mas o que é agronejo, afinal? Não é um retorno à música caipira tradicional. O agronejo usa referências do campo e do agronegócio dentro de uma produção moderna, misturando o sertanejo com elementos de pop, funk, música eletrônica, piseiro e outros estilos populares. A viola pode até aparecer, mas a base costuma ser a mesma das grandes produções do sertanejo atual.

Essa é a principal diferença entre sertanejo raiz e agronejo. O raiz olha para a vida rural do passado, com a viola e as canções narrativas. O agronejo fala do campo de hoje, com a linguagem, os ritmos e o visual da nova geração do interior.

A origem do agronejo não tem um único criador. O termo descreve um movimento e uma tendência mais ampla, que cresceu com uma nova safra de artistas. Ana Castela, apelidada de boiadeira, e Luan Pereira estão entre os nomes mais associados a essa fase, mas ela reúne muita gente e continua se expandindo.

Olhando a trajetória inteira, a sequência fica clara. Música caipira, sertanejo raiz, sertanejo romântico, sertanejo universitário, feminejo, agronejo e, por fim, o sertanejo atual. Só que essas fases não se substituem de forma absoluta. Várias delas continuam coexistindo, tocando nas mesmas rádios e nas mesmas festas.

E o sertanejo atual?

Depois de quase um século desde as gravações pioneiras de 1929, o sertanejo continua mudando. Hoje o gênero se mistura com arrocha, pop, forró, funk, música eletrônica e diversos outros estilos, e o sertanejo agronejo é a prova mais recente disso.

Essa capacidade de incorporar novas influências não é exatamente novidade. O sertanejo passou grande parte de sua história se transformando de acordo com as mudanças culturais e musicais de cada geração.

Do som da viola às grandes produções modernas, muita coisa mudou. Mas algumas características permaneceram. Histórias de amor, saudade, relacionamentos e experiências do cotidiano continuam entre os principais elementos da música sertaneja.

  1. Antes de 1929 Música caipira no interior, com viola, moda de viola, cururu e catira.
  2. 1929 Cornélio Pires organiza as gravações pioneiras, entre elas "Jorginho do Sertão", com Mariano e Caçula.
  3. Décadas seguintes Tonico & Tinoco, Tião Carreiro & Pardinho e outras duplas consolidam o que viraria o sertanejo raiz.
  4. Anos 1960 e 1970 Guitarra elétrica e influências urbanas afastam o som da música caipira tradicional.
  5. Anos 1980 e 1990 Sertanejo romântico explode com Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo e Zezé Di Camargo & Luciano.
  6. Anos 2000 Nasce o sertanejo universitário, com Jorge & Mateus, Luan Santana e Gusttavo Lima.
  7. Anos 2010 Feminejo ganha força com Marília Mendonça, Maiara & Maraisa e Simone & Simaria.
  8. Anos 2020 Agronejo ganha força, com o campo de hoje numa produção que mistura sertanejo, pop, funk e piseiro.
  9. Hoje O gênero se mistura com arrocha, pop, forró, funk e música eletrônica.

Sertanejo raiz e sertanejo atual são a mesma coisa?

Os dois fazem parte de uma mesma trajetória musical, mas representam períodos e características diferentes.

O sertanejo raiz, também chamado com frequência de música caipira, mantém uma ligação muito forte com a vida rural, com a viola e com as histórias do interior. Já o sertanejo moderno incorporou novos instrumentos, novas formas de produção e influências de outros gêneros.

Isso não significa que um simplesmente substituiu o outro. Até hoje existem artistas e ouvintes ligados à música caipira tradicional, ao mesmo tempo em que novas vertentes do sertanejo continuam surgindo.

Uma história que continua sendo escrita

O que começou com violeiros e cantadores do interior atravessou praticamente todas as grandes transformações da música brasileira do último século. Passou pelo disco de 78 rotações, pelo rádio, pela televisão, pelo CD, pelo MP3 e, por fim, pelo streaming. E em cada uma dessas fases encontrou uma nova geração disposta a ouvir sertanejo.

Essa talvez seja uma das principais razões para a longevidade do gênero. O sertanejo consegue mudar sem abandonar completamente suas raízes. E da moda de viola ao sertanejo atual, essa história continua sendo escrita todos os dias.

Perguntas frequentes sobre a origem do sertanejo

Onde surgiu a música sertaneja?

No interior do Brasil, a partir da música caipira das regiões rurais, onde a viola e ritmos como a moda de viola, o cururu e a catira já faziam parte da vida no campo. As gravações pioneiras do gênero, em 1929, foram organizadas por Cornélio Pires, nascido em Tietê, no interior de São Paulo.

Quando surgiu o sertanejo?

Como manifestação cultural, a música caipira já existia nas regiões rurais antes mesmo do século XX. Como gênero gravado e inserido na indústria fonográfica, o marco mais citado é 1929, ano das gravações organizadas por Cornélio Pires.

Quem foi Cornélio Pires?

Escritor, jornalista e divulgador da cultura caipira, nascido em Tietê, no interior de São Paulo. Em 1929 organizou uma série de gravações com artistas caipiras, entre elas "Jorginho do Sertão", com a dupla Mariano e Caçula, apontada como uma das gravações pioneiras da moda de viola no país.

Qual a diferença entre música caipira e sertanejo?

A música caipira, ou sertanejo raiz, é a fase ligada à viola, à vida rural e às canções narrativas do interior. O sertanejo moderno, a partir das décadas de 1960 e 1970, incorporou guitarra elétrica, influências do pop e do country e letras mais voltadas a relacionamentos. Os dois fazem parte da mesma trajetória e convivem até hoje.

O que é agronejo?

É a vertente do sertanejo que ganhou força nos anos 2020, ligada à cultura do agro, aos rodeios, às festas do interior e à vida rural de hoje. Não é uma volta à música caipira. O agronejo usa referências do campo dentro de uma produção moderna, misturando sertanejo com pop, funk, música eletrônica e piseiro. Ana Castela e Luan Pereira estão entre os nomes mais associados à fase, que descreve um movimento amplo, sem um único criador.

Quando surgiu o sertanejo universitário?

No começo dos anos 2000, em cidades universitárias do Centro-Oeste e do Sudeste, com linguagem mais jovem e influências de pop, rock, country e forró. Jorge & Mateus, uma das duplas que popularizaram essa fase, formaram a dupla em 2005 e ganharam projeção nacional com Ao Vivo em Goiânia, de 2007.

Ouça sertanejo na Hunter.FM

Depois de conhecer um pouco da história, nada melhor do que ouvir o gênero. No Canal Sertanejo da Hunter.FM, você encontra os grandes sucessos do sertanejo em uma programação feita para quem realmente gosta do gênero, de graça e sem cadastro. E se você prefere os clássicos do sertanejo romântico, o Canal Moda Sertaneja é o seu lugar.

Você pode ouvir sertanejo online pelo site ou pelo app da Hunter.FM, disponível para Android e iPhone.

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